Ao fazer a discussão sobre o valor de uso das mercadorias da Indústria Cultural, Bolaño (2000) aponta que o trabalho de Alain Herscovici foi exitoso ao considerar que o valor de uso da mercadoria cultural está ligado ao seu valor simbólico. No entanto, com a evolução das tecnologias de comunicação digital tomamos como hipótese que o valor de uso das mercadorias da internet é mais do que a capacidade de entregar valor simbólico. São mercadorias que viabilizam muitos setores da vida. Assim, os dispositivos digitais tomam cada vez mais importância para o sujeito, sendo sua posse imprescindível no atual estágio de desenvolvimento capitalista.
Karl Marx (2013), trabalha com a ideia de reprodução da força de trabalho. Segundo o autor alemão, dentro do sistema capitalista o trabalhador recebe em troca por sua labuta, em tese, o valor necessário para a reprodução da vida tais como: alimentação, moradia, vestuário, etc. Em nossa hipótese, as mercadorias da comunicação digital podem fazer parte daqueles itens necessários para a reprodução da força de trabalho. Para verificar tal hipótese analisaremos o site para anúncio de empregos RioVagas,
Como reflexão teórica inicial, partimos de uma visão crítica sobre o que algumas correntes de pensamento chamam de midiatização. As principais teorias vigentes são: 1) a institucionalista, representada principalmente por Stig Hjarvard (2014) e que trabalha com a ideia de midiatização intensificada; 2) e a socioconstrutivista, cujos expoentes são Nick Couldry (2019) e Andreas Hepp (2020). Essas perspectivas, embora reconheçamos as suas valiosas contribuições, são criticadas por Francisco Rüdiger (2015) e Thales Lelo (2021).
Para Rüdiger, a vertente institucionalista não considera o papel do capitalismo e coloca uma centralidade exagerada na mídia e a crítica feita para abordagem socioconstrutivista se baseia na centralidade que ela dá à análise da infraestrutura. Rüdiger problematiza o próprio uso do termo midiatização, mas por acreditar que há falta de delimitação mais precisa do conceito. Thales Lelo (2021), por sua vez, concentra suas críticas à vertente socioconstrucionista. Para o autor, essa corrente superestima “a engenhosidade da agência humana no uso das tecnologias para a resolução de problemas socialmente construídos” (p. 3). Além disso, essa corrente ignoraria contradições do processo, como a exploração do trabalho pelas plataformas digitais.
Dessa forma, entendemos que apesar das críticas, falta uma formulação marxista mais consistente no debate sobre midiatização, não obstante Bastos (2020) apontar que a “perspectiva de dialética da midiatização de André Jansson (2017) se constrói em diálogo com o materialismo cultural de Williams (1979)” (p.7 ). Além disso, a questão do trabalho mediado por plataformas já constitui campo de estudos de caráter interdisciplinar consolidado, que dialoga com esta pesquisa. Assim, o que será verificado no site RioVagas são os requisitos e exigências requeridos pelo mercado de trabalho no que se refere ao porte de dispositivos de comunicação. Esta pesquisa se propõe então a contribuir com seu grão de areia nesse tema, e acredita que um dos caminhos é refletir sobre mídia, reprodução da força de trabalho e anúncio de vagas de emprego.
Comissão Organizadora
Sociedade EPTICC
Comissão Científica
Ana Beatriz Lemos da Costa (TCU/UnB)
Anderson David Gomes dos Santos (UFAL)
Antônio José Lopes Alves (UFMG)
Carlos Alberto Ávila Araújo (UFMG)
Carlos Peres de Figueiredo Sobrinho (UFS)
César Ricardo Siqueira Bolaño (UFS)
Débora Ferreira de Oliveira (UFMG)
Edvaldo Carvalho Alves (UFPB)
Fernando José Reis de Oliveira (UESC)
Helena Martins do Rêgo Barreto (UFC)
Janaina do Rozário Diniz (UEMG/UFMG)
Janaíne Sibelle Freires Aires (UFRJ)
Kaio Lucas da Silva Rosa (UFMG)
Lorena Tavares de Paula (UFMG)
Manoel Dourado Bastos (UEL)
Mardochée Ogecime (UFOP/UFMG)
Marília de Abreu Martins de Paiva (UFMG)
Rafaela Martins de Souza (Universidade de Coimbra)
Rozinaldo Antonio Miani (UEL)
Rodrigo Moreno Marques (UFMG)
Ruy Sardinha Lopes (USP)
Sophia de Aguiar Vieira (UFMG)
Verlane Aragão Santos (UFS)